13 de Junho - A Alma Lusa no seu Melhor

Atualizado: Jun 10


Fernando Pessoa, poeta português.

O dia 13 de junho é de extrema importância para Portugal, pois a este dia estão ligadas duas almas enormes do país da língua Lusa. No ano de 1231, apenas com 39 anos, morria Fernando de “Bulhões”, ou seja, aquele que ficou conhecido como Santo António. Se era António, só de adoção, em função no nome por ele escolhido como referência a St Antão, se era Bulhões, também não, mas se era Fernando e português, isso sim, nós sabemos, pois assim foi registado em 15 de agosto de 1191 em Lisboa. O seu nome poderia ser Fernando Martins ou Fernando Bulhões.


Eloquente, sábio e com uma cultura acima da média, era um ser com enorme gosto pela aprendizagem, pois dos seus sermões sobressaiam evidências filosóficas do pensamento de Aristóteles, Séneca, cícero e Boécio. São Boaventura dizia sobre ele que possuía a ciência dos anjos. Pois eu prefiro dizer que ele era um filósofo português, já que era terreno, demasiado terreno, tal como nós e tinha a sabedoria desta humanidade. Fernando, o ainda não António, partiu para Marrocos com uma equipa de Franciscanos no sentido de evangelizar este povo. Porém, acometido de uma doença grave, viu-se forçado a regressar à sua pátria. Todavia a desdita viagem do percurso encaminhou-o para Itália, onde se tornou uma figura proeminente, ficando conhecido como António de Pádua.


No dia 13 de junho de 1888 nascia em Lisboa Fernando António Nogueira Pessoa que se tornou para nós, e para o mundo, Fernando Pessoa, um dos maiores poetas mundiais, já que na sua poesia/filosofia tem o condão de iluminar a alma daqueles que a leem. Para mim é o maior poeta do mundo. O seu pensamento deixa antever o humanismo da acutilância Templário, onde Portugal tem forçosamente de estar presente.


Ainda bem que não é santo, como talvez António também o desejasse não ser, pois quem é humilde jamais tem intenção de se distinguir dos seus pares. Cátedras é coisa de gente diminuída do sentido da existência.


Assim Fernando António Nogueira Pessoa, o poeta Templário cheio primeiro de alma Lusa, escolheu o nome Fernando e António precisamente de Santo António que era Fernando. Mas se o 13 é fundamental para as dinâmicas com que este universo tem fluido, boas ou más, para nós, portugueses, o 13 é um marco de júbilo e solenidade, pois deu-nos a possibilidade de comemorar duas das figuras mais insignes e proeminentes da Portugalidade. O primeiro porque foi enormemente sábio e bom e o segundo, também o sendo, foi enormemente poeta.


Ambos tinham, o primeiro como Franciscano, o segundo como Templário de alma, uma paixão pelo Mestre Jesus, o Cristo, talvez por isso o 13 seja tão categórico na morte e no nascimento de um e de outro.


O primeiro mereceu a atenção do embaixador da língua portuguesa, António Viera, com o Sermão de Santo António aos Peixes, pregado no dia 13 de junho de 1654, em S. Luís do Maranhão.


Quando os homens, por inépcia da aprendizagem transformadora do ser, não ouvem os que sabem, pois que os ouçam os peixes, e, mesmo assim, os peixes grandes comportam-se muito mal, tal como os homens, pois os grandes acabam sempre por comer os mais pequeninos. Todavia, Vieira não deixou de expressar o seu lamento sobre esta situação, pois os peixes são apenas peixes, mas o homens, por favor, os homens são homens, têm a obrigação de fazer mais e melhor! Ou será que são apenas peixes e outros animais de lamentação?


O segundo talvez seja o maior poeta do mundo, ainda que isso tão pouco importe a quem categoricamente afirme que:


“Não sou nada. Nunca serei nada. Não posso quero ser nada. À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.”

Deixo um poema da Mensagem, talvez a chave para o entendimento de toda a Obra,


O Encoberto

Que símbolo fecundo

Vem na aurora ansiosa?

Na Cruz morta do Mundo

A Vida, que é a Rosa.


Que símbolo divino

Traz o dia já visto?

Na Cruz, que é o Destino,

A Rosa, que é o Cristo.


Que símbolo final

Mostra o sol já desperto?

Na Cruz morta e fatal

A Rosa do Encoberto.


Excerto do filme "Mensagem", dirigido e montado por Luis Vidal Lopes, estreado no cinema S.Luiz, em Lisboa, no dia 13 de Junho de 1988 e baseado no livro homónimo de Fernando Pessoa. Argumento e texto de Manuel Gandra e Luis Vidal Lopes. Poemas, cartas e textos originais de Fernando Pessoa. Fotografia de Manuel Costa e Silva. Produção de Cristina Hauser. Filipe Ferrer no papel de Fernando Pessoa.




Rui Fonseca

Porto 2021

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