No Sonho de uma Língua


Farol da Foz - Porto, Portugal.




à Língua Portuguesa

Que voz vem das calendas do tempo

Dos primórdios dos nossos passos

Com que iniciamos o olhar

Do navegar no ir

Adentrar ir e partir

Que traz consigo um desejo

Uma voluntariedade firmada

Que permite ir além da montanha

Na nobreza da vontade

Na concomitância do sonho?

Sim, que voz vem

Neste inusitado ensejo

Desejo de humanidade

De ir além de si, além de nós,

Onde nos perdemos tantas vezes

E que permite expressividades maiores

De uma assertividade futura

No clamor da liberdade?

Sim, que voz é?

É a voz da Lusitânia

Voz de uma coragem segura

Impregnada da imaginação que sonha

Que quer ir além de si mesma

E que acalenta sorriso ao ir

Ir além de tudo isto

Onde a expressividade ainda é parca

E nos tolhe o olhar

Por onde o sonho tem de se agigantar

Além de nós, além de nós, além de nós.

Na ousadia do sonho

Na coragem das mãos

Que vai além do ribombar genético

Onde nos cruzamos os dois

Só tu expressividade do sonho

Nos permites ir alem da montanha

Onde há tanto tempo nos quedamos

Paramos na estagnação do sopé

Sem a coragem de transpor esse ergástulo

Que há muito deveríamos ter vencido.

Ó sonho amado sonho

Só tu és a glória

Desta humanidade de além

Além de um futuro que queremos

Pois o de hoje é incerto

Curto no pavio curto

Com que não se ousa ser

No amanhã que tem de ser.

Um dia, quando todos nos sentarmos

Em torno da mesma mesa

Num linguajar de paz

E de uma fraternidade que se quer

Que se abraça numa cara mais com graça

Veremos como a coragem é virtuosa

Ao acrescentar vida ao sembrante do rosto...

Então, na expressividade maior que dá luz ao sonho,

A dialética da diáspora do linguajar lusitano

Irá eclodir alma à alma que no mundo perpassa

E na ousadia de sempre

Irá olhar o futuro

Com a coragem dos passos primeiros

No sonho com que sonha sempre.


Rui Fonseca

Porto, 19 de maio de 2021

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