Portugal - É Preciso muito mais!



Vivemos eternamente em ondas de protocolo e ainda que tal seja, por vezes, necessário, temos de ir mais além, pois é preciso fazer mais, muito mais e melhor. O protocolo é necessário, mas não devemos ficar toldados por ele, pois há sempre muito a fazer em prol de todo o povo português que é Portugal.

Por isso, ainda que não concorde na integra com a plenitude da frase “navegar é preciso, viver não é preciso”, acho que é necessário navegar muito mais, pois só o sonho nos permite vogar nas ondas de ir e partir, partir e regressar. E a cada momento que chegamos temos de vir mais fortes, mais ousados, mais portugueses. Talvez seja necessário começar a pensar em ir de novo, ir dentro de nós, pois só assim poderemos ser para mudar e construir. Os velhos paradigmas de outrora já não colhem a nossa simpatia, é preciso mais, muito mais, navegar é preciso, viver…

Deixo um poema sobre Portugal do meu livro No Profundo da Alma Lusitana



Era uma Vez um País


Era uma vez um país

Que nasceu na mente de gente grande

Para ser grande

E à medida que a gente grande crescia

O país também crescia,

E na vontade de ser grande

Desenharam no mapa um retângulo

Que num batismo sem igual

Fez nascer sob o signo de peixes

O reino de Portugal.

Desde cedo a água o chamou


E o retângulo se fez ao mar

Para encontrar novas terras

Hexágonos, quadrados e círculos

E outras figuras irmãs

Num futuro em construção.

Eram excelentes geómetras,

Até parece que estudaram

Na Academia de Platão.

E o mar ao cumprir-se se findou

No abraço que ao Oriente se uniu

Mas que em si não acabou.


Porém, na calada da noite

Os olhares frios e sub-reptícios

Deslizavam e afinavam a sua cauda

Para um deserto sem fim

Enfim, com fim nas areias frias de Alcácer

Que de tão quentes sufocaram estas gentes,

Nobres pelo mito de Ourique

Onde o Senhor os ungiu

Para navegar em largos horizontes.


E os pequeninos que então anoiteciam

Com perspetivas mirradas de um ocaso sem porvir

Diziam: “Não, este país pequenino

Tem mesmo de ser pequenino.”

E pequenino este país se tornou

Pois pequenina era a gente

Que o país abortou.

O fogo que se acendia nas praças

Queimou o sonho que em si mesmo se calou.

E o país arrastou-se então

Na desunião de irmãos

Num rosto que já não sorria

Na guerra que o país consumia.

E o país não mais se encontrou!

Finalmente, uma nova esperança

Surgiu no laico em outubro

Que ao acordar se fechou.


Vieram depois dias escuros

Aziagos pelo feixe

Onde a luz nunca brilhou.

A liberdade que depois cresceu

Num abril sem igual

Aclarou a vontade de um sorriso universal

Que depressa se relativizou

E se perdeu entre partidos

Com gente que nos desuniu,

E o país titubeou!

Mas a alma dos que são grandes

Há de novo emergir,

Há de novo falar,

Há de voltar à ribalta

E fazer desta nação


Um amplo sentido da malta

Que se expressa na mesma Língua

Que vogou no bracejo do mar

Aguardando apenas a voz do vento

Para no devir aportar.

Era uma vez um país

Num pequenino retângulo

Que nasceu para ser grande

E num sonho sem igual

Mesmo que outros o não queiram

Há de ser universal

Pela língua de Portugal.



Rui Fonseca

Porto, 2021

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