Projeto Farol Lusíada

Atualizado: Nov 2




Este universo tem tanto tempo de vida e nós continuamos sem respostas categóricas quanto às dúvidas que nos assolam. Afinal, quem somos, de onde vimos, o que andamos aqui a fazer e para onde vamos?


Apesar de nos termos habituado a viver/conviver com este estado existencial, é nossa obrigação ir mais longe e, na ousadia que nos marca o espírito, darmos respostas para todo este mistério.


Importa, pois, irmos ao início desta caminhada como humanos, já detentores de um cérebro adaptado à expressividade linguística.


É fundamental, para tal, recordar de novo e sempre as palavras sábias de Stephen Hawking quando afirmou a transformação ocorrida em nós, em torno do animal que eramos e da Humanidade que passamos a ser.


Diz assim o cientista:


Por milhões de anos, a humanidade viveu como os animais. Então aconteceu algo que desencadeou o poder da nossa imaginação. Aprendemos a falar. E aprendemos a ouvir. A fala tem permitido a comunicação de ideias, permitindo aos seres humanos trabalhar em conjunto para construir o impossível. As maiores conquistas da humanidade surgiram na decorrência da fala. E os maiores fracassos pela falta dela.”

Foi o maior salto que alguma vez ocorreu em nós, e tal deu-se precisamente no Vale do Côa, nas terras que hoje pertencem a Portugal, há cerca de 40 000 anos, quando pela primeira vez libertamos coletivamente a mão da comunicação para a usarmos no expressar do pensamento simbólico.


Assim, esta Humanidade surgiu para a vida de pensamento abstrato quando o gene fozp2 despoletou em nós, por qualquer processo, possibilitando a fala, a linguagem e consequentemente este abrir de asas de um sonho que nos trouxe até hoje.


O Vale do Côa tinha condições especiais para o nosso surgimento enquanto humanidade e é isso mesmo que diz a Unesco numa frase expressa na entrada do Museu do Côa: “A arte rupestre do vale do Côa ilustra de uma forma excecional a vida social, económica e espiritual dos primeiros antepassados da humanidade.”


A partir daqui o almejo destes homens expressou-se, já recentemente na história, como nação, através da Alma Lusitana que desembocou na Pátria/País com o nome de Portugal. Concluído o projeto territorial no reinado de D. Dinis, há cerca de oito séculos, tornou-se o mais velho país da Europa com fronteiras definidas e bem consolidadas.


De imediato este projeto, já bem incrustado com a Alma Templária, deu novos mundos ao Mundo e Portugal espalhou a sua língua pela Terra inteira, onde ainda hoje está bem representado.


Nem sempre fez o melhor, todos os projetos falham, pois por vezes a ganância e outras forças de bloqueio, acabam por manchar o melhor pano. Todavia, nunca baixou os braços, mesmo quando cerca de três séculos de inquisição e meio século de fascismo impediram sua Alma de crescer.


Hoje, liberto de várias empecilhos, com fragilidade, começa a sonhar de novo, a ousar ser e assim será, pois muito ainda tem de cumprir. Conta, categoricamente, com toda a sua extensão de expressão linguística, assumindo o princípio que nos une como pátria global nas palavras de Bernardo Soares/Fernando Pessoa quando diz que a minha pátria é a língua portuguesa.



Rui Fonseca Porto, 2021

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