Terras do Côa Sagrado


Museu de Foz Côa - Projeção de imagens luminosas sobre tela, reproduzindo gravuras ruprestres.

às nobres terras de Foz Côa

No longínquo remoto do tempo

Que a memória já não avista

Só tu, Côa, serpentear de um correr nunca visto,

Despertaste um Éden de artistas

Numa aguarela de xisto.

Esta terra que todos os dias pisamos

Tem o condão da alegria,

Tem o sorriso do mar,

Tem o sol que nos abraça no sonho do navegar.

Esta terra que todos os dias pisamos

Tem o fascínio da lua num delírio outonal,

Quando à noite, por entre o clarear do fogo,

A madrugada sopra em novos alentos de vida

Num deleite de acordar.

Ó Côa, Côa, escorreito de novas linhagens,

Vestido de homens com gente,

Foste o primeiro sorriso

Num abraço de linguagens!

Esta terra que todos os dias pisamos

E amamos ao acordar traz o delírio da vida

Em nosso coração a pulsar.

Foi o cordão umbilical

De imensos povos do mundo,

Povos antigos e sábios

Que atentos a um apelo natural

De ondas telúricas sem igual

Beijaram este solo sagrado

Por nós tantas vezes esquecido

Por nós tantas vezes maltratado.

Envoltos em estranhos rituais,

Esses nossos avós ancestrais

Cantavam, dançavam e pintavam

Estranhas figuras de arte

Nas margens do Côa amado,

Em terras de um vale sagrado.

Ó Côa, Côa, escorreito de linguagem

Vestido de homens com gente,

Foste o sorriso primeiro

Ousado e adolescente

Do alvorecer permanente.



Museu de Foz Côa - Projeção de imagens luminosas sobre tela, reproduzindo algumas das gravuras ruprestres encontradas nas rochas, ao longo de 17 km do vale do Rio Côa. A arte rupestre do Vale do Rio Côa é considerada Património da Humanidade desde 1998. No Parque Arqueológico do Rio Côa, um dos mais importantes do mundo, estão identificados 50 núcleos de gravuras de arte ruprestre. O homem do Paleolítico superior, há cerca de 25.000 anos, vincou nas duras rochas de xisto, milhares de representações de grandes animais selvagens, utilizando modestos artefatos como ossos de animais e pedras . Link





Porto 20 de julho de 2007

Rui Fonseca

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